Eu deveria mesmo sofrer pelas coisas que não causei?
Quem sou eu para não perdoar os atos que não foram malfeitorias causadas a mim?
Quem sou eu para questionar a atitude do próximo senão pra auxiliar e, mesmo assim, se for solicitada?
Somos aqui meros ajudantes. Devemos amar até os que, em falhos sensos comuns, não merecem; e isso é na verdade uma dádiva. Porque o merecimento sempre será subjetivo, e nem tudo é meritocracia, mas um “negócio” feito com o divino que nós nem conseguimos barganhar.
Amar o incomum é completamente raro. Desprender-se na cultura do estereotipado até assusta, ofende. What?
Desejamos ser correspondidos. Sermos amados como filhos, amigos, amantes, parentes. Porém o melhor amor é o que se compartilha na doação de si.
Objetivamos manter-se longe da inveja, manter-se altruísta com naturalidade, e com sorte, emocionar-se com a conquista alheia. Grande, grande avanço emocional. Desvencilhar-se do egoísmo, e mergulhar orgulhoso da compaixão.
Que possamos pensar – pelo menos hoje – que só o amor constrói.
Que a paciência seja reino nesse momento tão deliciado e que possamos nos sentir amados. Faça por merecer isso, embora isso venha de graça quando se é naturalmente ou esforçadamente bom.
Meu coração anda cheio de amor, e cheio de sofrimento, que tudo isso seja minado pela gratidão de ter a chance de dizer: eu te amo, eu te perdoo, obrigada, sou grata.
“Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende!”
Cora Coralina
Escrito em 10 de abril de 2020.
