Este é meu primeiro post no meu novo blog. E é só o começo, então fique de olho. Assine abaixo para receber notificações das minhas novas postagens.
Eu sou um tanto mística e por isso acredito mesmo que todas as coisas acontecem com uma intenção específica. Isso pode ser por lei quântica, pelo destino de Deus, força dos orixás, não importa no que você crê. Sempre acredito – e dá certo – que se observarmos, tudo vira um sinal. Desta forma, acabei deixando a citação do Wilde que é sugestão do site do blog porque o intuito é respeitar as pessoas com suas individualidades, aprendendo com elas e exercitar a empatia.
E a citação também me pareceu um sinal…
Meus textos são uma coletânea de anos criando nas redes sociais e por isso decidi repetir essa cronologia. Depois de atualizar todos os textos, pretendo reescrevê-los. Mas queria deixar a originalidade que certamente sempre acharei pueril a cada releitura. Para você saber o que vai acontecer aqui, tenho como ideia que juntos possamos crescer como pessoa e como blog, dia após dia. Vamos juntos?
Já se passaram alguns anos os quais alguns ciclos já se fecharam e outros foram abertos. Alguns bons anos. Algumas vezes foram rompidas as jornadas, e também vários outros recomeços foram iniciados ora animadamente ora por insistência e perseverança mesmo. Mas existiram em mim diferentes formas de deixar o passado ir. Sinto que hoje, por causa de um novo método, tudo o que passou foi diferente. Caminhei pra frente sem olhar pra trás. Se por receio ou falta de percepção, não sei, mas esqueci ou deixei de fechar as portas. Amarras podem ter ficado com pontas soltas, não sei. Mas, hoje é diferente! O ciclo se fecha trancando todas as portas. É impossível passar borracha nas coisas que não me arrependo, que são parte do que sou hoje. Então, resolvo passar uma tinta em cima de muitas coisas, pintando agora da forma que eu quero que seja, nos tons que quero fazer dessas pinturas antigas, aquilo que quero ver hoje. Carmas não são traumas, eles são adaptados de acordo com o queé permitido que ele remaneje, troque, destrua, remonte. O que quero que me defina agora, é o hoje. O passado não me molda. Faço da teleologia meu destino. E não tenho mais a pretensão de gerar no interesse de quem lê a pesquisa e o entendimento, porque isso também é parte do que ficou pra trás. Passado não importa. Sem pontas soltas.
E foi num desses devaneios acanhados que levantei e fui até a cozinha, um movimento automático, aleatório e cotidiano. E foi a cena que olhei, e congeleri e sorri. Num movimento despretensioso, rotineiro; é, sorri! Eu não tenho tanto, mas tenho tudo. Eu perdi algumas coisas, bastante coisas, mas conquistei o suficiente. Tudo muito diferente de antes, do que foi deixado, perdido, superado. Hoje sou isso, simples, do meu jeito, com sacrifico, aos poucos, com glória, e sorriso leve. Ter, hoje? Taí, a batata doce do mercado que comprei ontem e que colocada na água, está aí, enverdecendo, alegrando, simples. Ter, hoje? Paz, simplicidade, desapego. Tapete da cozinha desgranhado, mas com carinho acolhe, aquece. Ter, hoje? Gratidao e coração quente sem medo de amanhã lutar tudo de novo para recomeçar quantas vezes for preciso. E vai marejar olhos, por perceber que tenho força que me cobro tanto ter e confrontar o paradoxo que é fazer menos do que acho que tenho que fazer, mesmo tanto fazendo. Estou a caminho, mesmo em passos de formiguinha (como eu adoro falar isso e me sentir criaça de novo). Longos passos de formigunha, no tempo que o universo permitir. E com essas imagens simples, do meu jeito, sigo daqui decidida em o que fazer com toda essa história que ficou, passou. E daqui do hoje, determino que sou como o cacho da batata doce, que poucos acreditam que surgirá, e isso pouco importa. Desgrenhada como o tapete que se pisado, só faz aquecer os pés descanços. E não se acanha disso.
Um dos objetivos primordiais da minha breve vida é tentar ser uma pessoa melhor a cada dia. Não é tão estapafúrdio afirmar a brevidade. Conhecimento, aprendizado e maturidade não têm teto e por isso, tempo nunca será suficiente.
Acredito ferramenhamente que não estamos neste plano a passeio e que nossa obrigação é fazer dessa jornada a mais incrível e didática possível. E não é apenas aprender, é se desenvolver e evoluir.
Mas precisamos saber o conceito de evoluir para daí então executar o tal “plano”. Evoluir pode ser um tema subjetivo, mas certamente envolve pessoas, conviver, interagir.
Cada ser é único, completamente exclusivo em sua genética. Não há ninguém no Mundo igual a você, e isso é fantástico! E por sermos completamente gregários, temos a chance de compartilhar ensinamento, trocar experiências. Que grandes lições podemos aprender com cada ser humanozinho? É realmente uma benção! Observar se faz necessário também, e escolher com quem se convive, é certamente uma arte, ou uma sorte.
Pensando nisso, não posso deixar de citar a frase tão falada, daquele que pra mim é um filósofo, maravilhoso, americano, deslumbrante, drag, Ru Paul:
If you can’t love yourself, how in the hell you gonna love somebody else?
Como eu adoro essa série…
Os ensinamentos milenares nos indicam que precisamos nos amar e nos cuidar para estarmos preparados para amar outro alguém, para cuidar de outras pessoas com força e sabedoria, para amparar o próximo com propriedade.
Evoluir também inclui ser feliz sozinho. Sem dúvida uma obrigatoriedade para usufruir da necessidade e privilégio do que é conviver. Estar sozinho não é se afastar das pessoas, mas obedecer com empatia a aproximação gratificante com elas.
E nessa mesma série de TV, RuPaul’s Drag Race, os participantes tem a oportinidade de ouvir críticas construtivas, a conviver mesmo com competitividade, a superar e, também, a ir embora quando necessário. Os participantes são eliminados depois de provas de conhecimento, habilidade, beleza, humor; como o próprio Ru Paul diz, precisam demonstrar carisma, singularidade, coragem e talento. E na decisão de quem fica, ele diz: “Shantay, you stay (fica) ; Sashay away (sai)”
Se amar é essencial e inevitável para si e para os outros.
Evoluir, então, é usar o Shantay, you stay ou Sashay away para o que não convém, usar para si mesmo dando um tempo de tudo, ou dando um tempo para os outros.
Uma das lições de guerrilha mais eficaz é a calma. Sun Tzu incentivava como primeiro ataque a defesa. Os mais antigos samurais nos ensinam que é preciso estratégia, não armas. É preciso negociar, pensar e que o ataque precisa ser um dos últimos recursos.
A filosofia tem dado certo. Ao contrário de armas, tenho usado educação. Ao contrário de vingança, tenho usado ignorar.
No final das contas, a paz tem sido tão grande, que acho que, guerra, agora, é só comigo mesma. E até isso estou ignorando, silenciando.
Escrito em 9 de outubro de 2021, horas depois de subir.
Ibitipoca – MG
Era novidade, mas sem alarde prévio, não foi preciso alimentar receios de não dar certo.
(A ignorância às vezes cai bem).
Tinha um bom equipamento nas mãos, acreditava na minha capacidade, e segui o fluxo fazendo aquilo que eu precisava fazer, aquilo que era parte do percurso.
Algo deu errado. Mesmo sabendo que um obstáculo poderia ser “a pedra no meu sapato”, segui em frente visualizando o erro adiante e, como eu percebera… é, me atrapalhou. Bastante.
Tive que retornar da maneira mais difícil, tive que recomeçar, descer, devagar, e de costas. O mais engraçado é que nesse momento, retornar não me assustou.
Mas agora, depois de voltar tudo, as pernas tremiam, e muito.
Agora, consciente, tive que respirar e o medo antes ignorado, agora fora percebido e presente, muito presente.
Recomecei, com medo mas com a certeza do que tinha que ser feito, no entanto, não como antes, agora, com o peso de um início fracassado.
E cada segundo virou horas, cada metro virou quilômetros, e até a reta final o sentimento de dever cumprido se misturou com as recordações sufocando-me cada vez mais forte e cada vez mais sem explicação.
Por horas que se seguiram, tudo rodou, ficou confuso e instantes que nem precisavam significar tanto, viraram analogias a vidas e tempos reais com os quais eu nem me identificava mais.
E por estradas de terras arredias me vi driblando e derrapando por situações arquivadas na estante da vida.
É que na vida, outra vida, quando eu subi a primeira vez deu certo, passou.
Retornar de ré e recomeçar é algo que definitivamente não quero mais.
E foi aí, que olhar pra frente se mostrou a única opção cabível a mim. E subi.
Que sentindo-me agora no topo – de abraços quentes que não me exige ser tão forte -, depois de ter passado por tudo e por tanto, eu possa respirar novos ares e de uma vez por todas transitar por estradas mais secas, que me deem estabilidade, segurança, conforto, o que eu sei que mereço.
O medo não me arrefece mais. A coragem sim, se mostrou inerente a mim, porém é uma bravura que não quero ter que usar. E tenho e sei e muita.
Uma imagem qualquer pra uns, puta expressividade pra quem consegue ver. Intenção nenhuma de atingir nem um nem outro. Fatos e atos que não ao acaso vão moldando uma vida de dias irrefutavelmente grandiosos. Passado de quem pensou em morrer? Simples por si só, dia após dia, gente após gente. Irritar quem é mal, deve ser a consequência de ser feliz, e isso não me pertence. Aprecie as vírgulas e elimine os dúbios. Um salve a bem aventurança de quem encontra a paz no simples sussurrar da Lua, silenciosa, calma, sozinha. E de ser una, ímpar, singular, exclusiva traz a paz de estar no seu lugar.
Eu deveria mesmo sofrer pelas coisas que não causei?
Quem sou eu para não perdoar os atos que não foram malfeitorias causadas a mim?
Quem sou eu para questionar a atitude do próximo senão pra auxiliar e, mesmo assim, se for solicitada?
Somos aqui meros ajudantes. Devemos amar até os que, em falhos sensos comuns, não merecem; e isso é na verdade uma dádiva. Porque o merecimento sempre será subjetivo, e nem tudo é meritocracia, mas um “negócio” feito com o divino que nós nem conseguimos barganhar.
Amar o incomum é completamente raro. Desprender-se na cultura do estereotipado até assusta, ofende. What?
Desejamos ser correspondidos. Sermos amados como filhos, amigos, amantes, parentes. Porém o melhor amor é o que se compartilha na doação de si.
Objetivamos manter-se longe da inveja, manter-se altruísta com naturalidade, e com sorte, emocionar-se com a conquista alheia. Grande, grande avanço emocional. Desvencilhar-se do egoísmo, e mergulhar orgulhoso da compaixão.
Que possamos pensar – pelo menos hoje – que só o amor constrói.
Que a paciência seja reino nesse momento tão deliciado e que possamos nos sentir amados. Faça por merecer isso, embora isso venha de graça quando se é naturalmente ou esforçadamente bom.
Meu coração anda cheio de amor, e cheio de sofrimento, que tudo isso seja minado pela gratidão de ter a chance de dizer: eu te amo, eu te perdoo, obrigada, sou grata.
“Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende!”
Escrito em 30 de junho de 2020, atualizado em 12 de agosto de 2021.
Seja honesto consigo mesmo. É Freud, e não é algo muito fácil.
Para começo de conversa, você precisa saber quem você é, e isso não costuma ser tão tranquilo de lidar. Se por sorte – e seja sincero com você mesmo – você não for uma pessoa invejosa, a sociedade cobra. As ofertas de padrões estereotipados que são violentamente empurrados goela abaixo a cada acesso na rede social. Os eficientes impulsos consumistas que te engolem a cada clique no seu lindo – e caro – smartphone. E aí, você começa a involuntária cobrança de enquadrar: a melhorar sua boca, comprar a bolsa da moda, pintar o cabelo de loiro, melhorar seu carro, viajar mais, emagrecer, sei lá. E não há problema nenhum em querer mudar, melhorar, ter algo caro, sair por ai, mas que seja leve, natural e limpo com você mesmo, e não pela enxurrada de fotos fantásticas que você assiste desfilar no seu feed. Ser honesto obedecer a sua autenticidade, seu excentricíssimo e absolutamente não temer julgamentos. Então saber quem você é sobretudo é se aceitar, e ter orgulho disso.
Além disso, ser honesto consigo mesmo é saber exatamente o que você quer. E isso, também, não é simples. Ter planos e metas, planejar um futuro, saber onde quer chegar, não é nem precisar ser uma regra pra viver bem, contudo fica difícil ir a algum lugar sem saber onde se quer chegar. Mas, tudo bem se você se sente feliz em aceitar “o que tiver que ser será” com alegria. E esse sim é um grande motivo para saber exatamente quem você quer ser: a pessoa que crê na felicidade acima de qualquer resultado. Check!
Outro ponto, você tem que aceitar que dizer não para algumas pessoas é imprescindível para se manter fiel àquilo que você quer. O quanto é ser egoísta se priorizar ou negligenciar os relacionamentos de amor, amizade e família? Muitos não entenderão o seu desapego, muitas vezes que são até doloroso demais pra você, e nem imaginam. Alguns até acreditam na “sua causa”; outros, por inveja, o criticarão; e espero, que a maioria, seja por sentir sua falta mesmo. Mas entenda: demore o tempo que for, quem precisa estar, sempre volta. E todo o resto, é passageiro mesmo, deixe ir! Você não é egoísta com ninguém, mas com você mesmo, porque no fundo morre de medo de perder. Pare!
Que sua verdade seja o maior presente que as convivências possam ganhar. O melhor dos mundos, no mundo perfeito de respeito mútuo e aprendizado com as diferenças… e as pessoas volta, ou ficam. Ser honesto consigo mesmo é ser honesto com os outros também e a fórmula simplesmente bate; o sentimento de gratidão floresce. Pois todas as pessoas que querem seu bem, o amará por você ser exatamente quem você é.
Originalmente criado para publicar na página Coisa de Gato no Facebook
Eu tenho sentido muita falta dele na minha cama. Já faz quase uma semana que eu percebi que Romeu estava dormindo no banheiro. Achei que era por que lá era mais fresco. Às vezes ele ainda vinha deitar comigo, e isso me deixava mais feliz e mais completa. Foi ai que tive a ideia de trazer o tapete para o quarto e percebi o quanto se embolar e se embrenhar no tapetinho o fazia feliz. Daí em diante, não mais ele subiu na cama. Não mais ele dormiu comigo. Não mais recebi sua massagem de gato na minha barriga. É verdade que sinto muito a falta dele, mas tomei a decisão que, mesmo ciente de que se eu sumisse com o tapete Romeu seria todinho meu, era o tapete que o faria feliz. Bem, estou feliz de ver o quanto ele se sente bem com esse tapetinho embolado, e por amor a ele, e abrindo mão da minha saudade, é neste lugar que poderemos encontrar ele ronronando tranquilamente. Eu não perdi para o tapete, eu venci o meu ego, um egoísmo de sempre estar no comando das coisas. Respeitando a vontade do meu gatinho de estar onde ele se sente bem. E desta forma, ciente da sua opção, ele só estará comigo quando quiser realmente estar. Boa noite, Romeu! Esteja onde você quer estar. ❤️
Esse post fala sobre a leitura do livro que é dividido em contos. Esse é o terceiro do livro e escrito em 1940.
Ainda estou na dúvida se devo estender as postagens e escrever um pouco sobre os escritores ou, ir além das minhas palavras. Citar datas, fatos se, como agora, estiver lidando com um tema que outras pessoas possam vivenciar, além da proposta inicial que era armazenar os meus – pueris – textos das redes sociais.
Tentei não me culpar por ter começado a ler 3 vezes, voltado inúmeras vezes a leitura dos parágrafos, e ter por muitas vezes parado para refletir por minutos sobre algumas pequenas frases.
Nos dias de desistência, pensei em passar para os próximos contos. Senti-me com peso na consciência.
Desde que comecei a ler os contos de Clarice (olha eu achando-me íntima), sinto-me desafiada a entendê-la. E acho que com esse conto, o terceiro do livro, e cronologicamente que ela escreveu, entendi, que o entendimento da cabeça de cada um, em delírio assumido ou os que, todos nós, sem perceber, vivenciamos; é completamente subjetivo e misterioso.
Por fim, se me serviu de algo, serviu para entender que a dificuldade de entendimento não é óbice. Mas a lógica de que cada um na sua loucura e entende-se o que quiser.
Ah, e não é desculpa para ignorância. Afinal, se uma leitura não desperta em você uma mudança interior, um start, uma lâmpada acesa acima da cabeça, não serviu de nada.
Neste momento, entendo que até o meu entendimento das coisas tem a ver com meu momento. É, certamente daqui a uns meses essa escrita vai mudar.
Seguindo a ideia proposta no comentário anterior, também não vou contar a história. Mas a curiosidade é que foi o primeiro conto que ela escrevi cujo personagem principal é um homem. Isso é tão curioso porque de uma forma geral, em se tratando de Clarice, acabamos focando nos sentimentos femininos. No entanto, neste conto, e por ora só posso falar até aqui, não consegui traduzir uma empatia por algo que seja um pensamento/sentimento masculino (na verdade nem de sexo algum). Quem sabe mais pra frente, com o avanço da leitura, teremos um desdobramento para isso.
E como com todos os outros contos, após a leitura, fui pesquisar outras opiniões. Afinal de contas, embora eu tenha tido esse “grande” insight da minha própria descoberta, também não quero destoar tanto do senso comum. Sem delírios excessivos (risos).
E a curiosidade são as referências religiosas que, pelo que li, ela utilizou e utilizará na suas outras escritas. Então, sabendo disso, já podemos perceber com mais clareza essa referência, proposital.
Queria muito falar do final, que é como em todos os contos uma lição absurda. Mas seguindo a linha de não dar spoiler (é que queria tanto que lessem), escrever é além de qualquer sanidade. De alguma forma existe um ser dentro do ser que tem sede a qualquer preço de se expressar. É um delírio que se cobra na falta de palavras e na ira quando as perde por faltar papel e caneta (no modo literal ou não da palavra).
Tão especial que virou – também – objeto de decoração
Dei-me de presente esse livro – também.
Estamos numa era que muito se fala sobre o feminismo. Ressalto que não foi esse motivo da minha aquisição. Então, deixo claro que não estou aqui para levantar bandeira alguma, mas extasiada com o jeito “mulher” de ser e sentir.
Este texto é sobre um dos contos do livro. Talvez eu escreva de outros, vamos ver. Obsessão, escrito em 1941.
Não farei um resumo, se quiser saber a história, sugiro que leia. Não vou te poupar do prazer sublime dessa leitura. Clarice realmente tem um jeito único, com tanta beleza e classe, da mulher que desejo ser.
E classe aqui, nada tem a ver com dinheiro. Realmente me encanta o conhecimento e a postura, física e mental do ser. E mesmo que contestem, e aqui, também cito uma figura masculina que desde pequena amo ler, Vinícius, na sua frase infeliz e necessária:
Que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental.
Cultivo a habilidade de entender da forma mais confortável e positiva pra mim, e mesmo que digam que, o mulherengo, referia-se a quiçá uma bela face, eu digo que ele se referia à beleza que cada um entende. E pra mim, inteligência é que é fundamental.
Mas voltemos a Clarice…
Vi algumas entrevistas dela e que ser humano, mulher, “diferentão”! Não sei o que à época isso remetia. Talvez as pessoas fossem mais cultas mesmo, ou se interessavam mais pela cultura – para mim, obviamente hoje atrapalhada pela internet; ou se eram obrigadas a sê-las. Não sei! Imagine hoje, isso? Creio que dependendo do meio que eu esteja, também serei estranha em escrever sobre a escrita. Esquisita!
Claramente o conto se trata de um relacionamento abusivo. Claro que isso não é somente um assunto atual, mas que sempre existiu.
O que me chama atenção é a consciência de Cristina – a protagonista – em relação a isso, e mesmo assim, querer viver esse relacionamento (fora do casamento que foi sem traição física).
Ela “se apaixona” (entre aspas porque eu não sei se é possível se apaixonar por algo assim, para mim só justifica porque é como síndrome de Estocolmo) por Daniel, um homem frio e melancólico cuja inteligência é incontestável.
Essa consciência, de alguma forma, traz-me um certo conforto durante a leitura, e a sensação de que, quando não for mais útil para ela essa experiência, Cristina dará um fim.
E mais confortável ainda, para mim como mulher, é sentir que, de alguma forma, esse entendimento da situação traz poder e controle sobre si mesma. Sim, creio que de alguma forma podemos nos fazer entender que momentos ruins são necessários. E até, propositais.
Tudo isso pode ser impressão minha, mas de alguma forma, também como mulher (porque creio que homens podem não ter essa percepção), Cristina não é uma submissa, mas uma curiosa.
E como são as dificuldades que nos fazem crescer, para mim, era ela uma audaz.
Em suma, para não fugir da proposta de evitar o spoiler, sinto que a leitura de um ato pesado, trouxe-me a sensação de força e esperança.
Clarice é genial!
Mas realmente, e essa é a mágica da leitura, isso pode ter sido uma percepção minha.
Leia e sinta-se a vontade para comentar e discordar.